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Aforismos sem juízo
"O desejo é sempre a primeira e a última prova de amor."

     



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SÃO PAULO DE A A Z
fonte: O Estado de São Paulo 25 de janeiro de 2004
Aeroportos - Ir ao aeroporto ver avião pousar e decolar, enquanto se lê uma revista importada e se toma um cafezinho, ficou conhecido como "programa de paulista". A ironia podia valer para uma cidade sem muito o que fazer, mas também pode simbolizar a vontade de viajar e voltar, de se comunicar com o mundo, de fugir ao costumeiro autismo nacional. Cumbica e Congonhas estão em reforma, mas ainda são dois pontos de filas e stress típicos da cidade.

Andrades - Mario e Oswald marcaram a São Paulo dos anos 20, ansiosa por deixar de ser uma vila, uma cidade secundária nos destinos do país, o que de fato vinha deixando de ser. E com isso se tornaram símbolos de duas forças aparentemente opostas da cultura paulista: Mario, o estudioso ou "chato"; Oswald, o inquieto ou "leviano". Três décadas depois, outro Andrade, o Jorge, levaria o dilema paulista - como produzir progresso sem produzir brutalidade? - para o palco de teatro. No teatro a cidade também se dividiria entre dois estilos: Antunes Filho (na linha de Mario) e Zé Celso (na de Oswald, de quem adaptou O Rei da Vela). São Paulo, em 2004, ainda tenta somar os Andrades.

Anhangabaú - O vale onde tudo nasceu, sob um padrão que seria característico de sua história: um rio dando lugar às construções e ao comércio, o verde sendo soterrado para que viaduto (o do Chá) e cultura (a do Teatro Municipal) criassem uma cidade para o século 20, com ares de quem já queria ser moderna desde muito antes. Hoje, um vale ainda penando com excesso de gente, meninos de rua, mendigos, degradação histórica.

Anos 50 - Nos anos 30 São Paulo já se considerava a cidade que mais crescia no mundo. Mas São Paulo só começou a ser o que é a partir dos anos 50. Com diversas iniciativas nas indústrias, nas artes e no pensamento, com eventos como a Bienal de Arte e a construção de Ibirapuera, Masp (fundado em 1947) e Catedral da Sé, a cidade começou a se desprovincianizar. Começou também a se achar mais avançada do que realmente é.

Anos 80 - Os jornais ganharam cadernos culturais diários, as editoras se multiplicaram, os cineclubes trouxeram novas e velhas vanguardas, os grupos de pop brotavam a cada semana nas garagens, as ruas se encheram de multidões em defesa das eleições diretas. Foi nos anos 80 que São Paulo assumiu o título de capital cultural.

Arquitetura - Poucas cidades brasileiras podem se orgulhar de sua arquitetura. Mesmo o Rio, que tem o patrimônio histórico que tem, pode desagradar ao visitante que de suas praias observa com realismo a qualidade dos prédios de sua orla. Mas o Rio se formou bem antes. São Paulo, que era pequena até o fim do século 19, não se tornou a capital da arquitetura moderna do País. Tem alguns prédios históricos no centro, graças sobretudo a Ramos de Azevedo, e casarões na Paulista e Higienópolis, assim como prédios modernos na mesma Paulista, na Berrini e no Itaim. Mas raros são os realmente bonitos. O Martinelli, o Edifício Itália, o Banespa, a FAU, o Masp e o Citibank são alguns de seus marcos; Gregori Warchavchik, Vilanova Artigas, Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha, Marc Rubin e Isay Weinfeld, alguns de seus maiores nomes; mas o domínio é da arquitetura improvisada e cinzenta e, nos últimos tempos, com mais tecnologia, da arquitetura pomposa e kitsch.

Artes - Outra estranheza de São Paulo é o quanto as artes não dão conta de sua realidade, de sua complexidade, nem mesmo dos seus bolsões de beleza e riqueza. As exceções entre os artistas que a retrataram são tão poucas que todos as conhecem. No cinema, Luiz Sergio Person, Roberto Sganzerla e Carlos Reichenbach estão entre os que mais a retrataram; da safra recente, apenas Beto Brant (O Invasor) se preocupou em examiná-la. Na literatura, apesar dos Andrades, de Alcântara Machado, Marcos Rey e poucos mais, São Paulo jamais teve seu James Joyce, seu Saul Bellow, nem ao menos seu Rubem Braga. Na pintura também é pouco vista, a tal ponto que foi preciso um grande artista alemão, Anselm Kiefer, retratá-la em sua grandeza contraditória para que não ficássemos limitados aos cartões-postais.

Augusta, Rua - A rua que mais parece uma avenida foi símbolo de uma cidade "jovem guarda", americanizadamente moderna, pontuada por carros ("Descendo a Rua Augusta a 120 por hora"), sorveterias e seus flertes, que influenciaria fortemente os tropicalistas baianos - os quais, porém, deflagrariam seu movimento no Rio e manteriam sempre um descompasso com São Paulo. Hoje, a rua oscila entre ótimos cinemas, casas de prostituição e hotéis que lutam contra a decadência.

Autran, Paulo - O ator-símbolo da cidade, apesar de nascido por acaso no Rio, pertenceu no início dos anos 50 ao TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), que mudou o panorama dessa arte no País, e depois fundou também em São Paulo um grupo com Tônia Carrero e Adolfo Celli. Da cidade mereceu apenas um teatro com seu nome na remota Avenida João Dias

Baianos - Codinome com que os paulistas chamam pejorativamente todos os trabalhadores vindos do Nordeste que são pedreiros, garçons e operários sem os quais a cidade jamais seria o que é, ainda que sem ela jamais fossem o que são. O atual presidente do Brasil deve, um dia, ter sido chamado de "baiano".

Bairros - Viver em São Paulo é uma experiência completamente diferente de acordo com o bairro em que você mora. Quem mora na Vila Nova Conceição ou Moema se vangloria do Parque do Ibirapuera, quem mora em Higienópolis acha que tem mais referências históricas, quem mora nos Jardins acha que leva uma vida mais efervescente, quem mora no Morumbi ou nas "Granjas" acha que tem mais qualidade de vida, quem mora na Vila Madalena acha que leva uma vida mais liberal e artística, etc., etc. Todos têm razão e nenhum.

Bancas - Uma das melhores coisas da cidade: revistas, jornais, DVDs, CDs, livros, balas, chocolates, talões de Zona Azul, brinquedos, cigarros - tudo, e das mais variadas partes do mundo, pode ser encontrado.

Bandeirantes - Transformados em heróis épicos nos livros escolares de história, a desbravarem o interior do Brasil para enriquecê-lo, hoje são vistos como cobiçosos assassinos de índios. Batizaram avenida, estrada, colégio e uma porção de outras coisas da cidade e, ao final, continuam a simbolizar a ambição paulistana em suas implicações positivas e negativas.

Barbosa, Adoniran - Quase ninguém sabe onde fica Jaçanã. Mas o narrador da canção Trem das Onze se tornou um representante do paulistano dividido entre a namorada e a mãe, sempre confundindo responsabilidade e afeto, transitando numa cidade difícil e ameaçadora.

Barnabé, Arrigo - Suas composições como Clara Crocodilo jamais se tornaram populares como as de Adoniran, mas têm a mesma mistura paulistana de humor e perdição. Por um momento, nos anos 80, simbolizou a atitude mais avançada na música brasileira; sem ele não haveria depois nem Arnaldo Antunes nem Os Mulheres Negras. Hoje compõe missas com elementos dodecafônicos e ensaia voltar a ser referência.

Beijo - O paulistano é tão apressado que, em vez dos dois que se dão no Rio ou dos três que se dão no Sul e no Nordeste, cumprimenta as mulheres que conhece com um beijo no rosto, rápido e seco.

Berrini, Avenida - Disparada na especulação imobiliária da passagem dos anos 80 para os 90, se tornou símbolo da cidade pós-moderna, "pontocom", com sua arquitetura exibicionista, até bonita em alguns casos, e atrações como o Shopping D&D, de decoração e design. É também um símbolo do crescimento descontrolado, do urbanismo tosco de São Paulo, pois os arranha-céus se amontoam em ruelas que não dão conta dos carros e pedestres. O padrão se estendeu para a Vila Olímpia, formando um eixo que já se iguala ao da avenida Paulista em termos de custo e modernidade.

Bienal de Arte - Criada em 1951 com mostra de Picasso e outros, revelou a modernidade européia para uma capital que se dividia entre ser européia e ser moderna. É um dos maiores eventos de artes visuais do mundo, mas não um dos melhores. De qualquer modo, programa obrigatório.

Borba Gato, Estátua do - A mais perfeita tradução da feiúra de São Paulo.

Brás, Bexiga e Barra Funda - Título do livro de Alcântara Machado que capta a vida dos imigrantes italianos nesses bairros que fizeram da São Paulo dos anos 20 uma cidade industrial em ritmo acelerado, tão acelerado que hoje esses bairros são decadentes e pobres. O Bexiga quis um dia ser a Broadway brasileira, com teatros como Franco Zampari e Sergio Cardoso, mas não conseguiu; nem mesmo seus restaurantes italianos são o que já foram.

Brecheret, Victor - Esse artista nascido na Itália deveria ser escolhido como o mais importante da cidade, não só por suas esculturas modernas (que vão desde charmosas estatuetas art déco até peças que misturam a influência de Brancusi com mitos indígenas), mas também por ter obras espalhadas por toda ela, como no cemitério da Consolação (Sepultamento, no túmulo da família Guedes Penteado), no Parque Trianon (o Fauno), em prédios do centro antigo e, claro, a famosa "Empurra-empurra" Monumento às Bandeiras), emblema da insistência paulistana.

Caipiras - Codinome com que os paulistas chamam pejorativamente todas as pessoas que vêm do interior do Estado para estudar e trabalhar na capital. Dos habitantes da cidade que não nasceram nela, são os mais numerosos. Suas influências são visíveis na cultura, na culinária e, não raro, no sotaque, embora não seja verdade que paulistanos digam "porrrrta". Hoje o PIB do interior do Estado é maior que o da Grande São Paulo, ou seja, é 1/6 do PIB nacional.

Calçadas - Exemplos do capitalismo à moda da casa, onde o espírito público tem escassa presença, as calçadas são cada uma de um jeito, irregulares, mal cuidadas, pequenas, e nem é preciso ter filho e levá-lo em passeio de carrinho para sentir suas dificuldades. Ao mesmo tempo, mostram como o cidadão às vezes precisa assumir deveres que seriam do poder público, em vez de esperá-los infinitamente. As calçadas com a figura geográfica do Estado têm menção honrosa. Deveriam se multiplicar, de preferência na forma de calçadões.

Campos Elísios - Batizado com esse imodesto nome, o bairro já simbolizou a prosperidade dos barões de café, que mandavam construir mansões à moda antiga, uma das quais foi do inventor Alberto Santos-Dumont. Hoje quase todas essas mansões viraram cortiços e o bairro já não parece paradisíaco.

Carvalho, Flávio de - Seu gesto de atravessar de saia a São Paulo dos anos 50 era ultrapassado em quase meio século do ponto de vista de um modernista europeu, mas naquela cidade de então não poderia ser mais inspirado. Simultaneamente, ninguém foi mais paulista que ele, um arquiteto, designer e pintor que na vida toda se debateu entre o rigor e a espontaneidade.

Centro(s) - São Paulo é uma devoradora de seus centros. O centro antigo, do Anhangabaú à Praça do Patriarca e ao Largo de São Francisco, está deteriorado em sua arquitetura e qualidade de vida. Aqui e ali há iniciativas para recuperar um pouco de seu glamour e paz, mas ele deixou de ser endereço para morar bem e ganhar dinheiro. O centro que o substituiu, ao longo do espigão da Avenida Paulista, continua importante, como eixo definidor da cidade, mas também já não é o mesmo. O complexo Faria Lima-Berrini vem agora concentrando as empreitadas mais rentáveis da cidade, como um novo centro comercial-financeiro.

Cheiro - Não há como negar: São Paulo fede em vários pontos, especialmente ao longo das Marginais, por causa dos rios, mercados e fábricas.

Churrascarias - Por mais que pizzarias e restaurantes japoneses se multipliquem, há uma atração em São Paulo que todo visitante de outra cidade procura: suas churrascarias. Há casas de carne como o Rubayat e o Esplanada Grill, mas as de rodízio, como Fogo de Chão, também são de ótima qualidade, com destaque especial para as picanhas fartamente servidas.

Cinemas e cineclubes - O cinema é a diversão número 1 do paulistano, mas raras de suas salas se mantêm ao longo das décadas. As que restam no centro, grandiosas, hoje exibem filmes pornôs. As da Avenida Paulista, como as do Belas Artes, estão decadentes, embora algumas, como as do Bristol, tenham sido recuperadas. E os cineclubes, que nos anos 80 marcaram o salto cultural da cidade (Bexiga, FGV, Cinemateca, etc.), quase sumiram. Mas há salas de cinema de shopping center boas, como as do Frei Caneca Unibanco, e ícones do passado como o Cinesesc, na Rua Augusta, onde estão também as melhores em termos de programação, as do Espaço Unibanco. E há, claro, a Mostra Internacional, bravamente mantida por Leon Cakoff.

Clima, revista - A afirmação intelectual de São Paulo, depois da Semana de 22 e da fundação da USP em 1934, veio com a turma da revista Clima, que mais tarde seria também responsável pelo Suplemento Literário do Estadão. Nos anos 40 e 50, Antonio Candido (literatura), Décio de Almeida Prado (teatro), Paulo Emilio Salles Gomes (cinema) e outros, chamados de "chato-boys" por Oswald, mudaram a maneira de o Brasil ver a si mesmo. Exageraram a contribuição paulista à cultura nacional, mas olharam de maneira nova para autores diversos como o mineiro Guimarães Rosa, o carioca Nelson Rodrigues e o baiano Glauber Rocha.

Clubes - Na ausência de praia, paulistano vai a clube. Mas clube não é só lugar para praticar esportes, ir à piscina, divertir as crianças; é também um sinal de status, um agrupamento entre iguais. Por meio dos preços dos títulos e pela seleção dos seus possuidores, escolhe-se quem não pode pertencer à comunidade, tal como nas famílias antigas que se casavam entre si.

Concretismo - O movimento começou nas artes visuais, por influência de um suíço, Max Bill, que expôs na primeira Bienal, e depois se estendeu para as outras artes, embora muitos pensem que foi invenção dos poetas Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari. Entre os participantes, Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros e Luiz Sacilotto são dos mais interessantes. Fizeram uma arte de design que em alguns casos atingiu até uma qualidade lírica. Sem o concretismo não haveria sua reação carioca, o neoconcretismo (com Lygia Clark, Helio Oiticica, Ferreira Gullar, Frans Weissmann e outros), nem a arte de Amélia Toledo e Regina Silveira, duas dos maiores artistas de São Paulo.

Cultura - A oferta cultural em São Paulo, como se sabe, é ampla e variada e pode deixar perdido quem tenta escolher o que fazer. Não se pode compará-la nem quantitativa nem qualitativamente com a de outras metrópoles, como Londres, Paris e Nova York, bastando pensar no movimento dos museus e nas peças em cartaz; mas ela traz atrações nacionais e internacionais suficientes para manter o interesse acesso ao longo do ano. No entanto, a essa agenda não correspondem uma intensidade de debate - em revistas, seminários, livros ou nas rodas de pessoas - e uma certa maturidade de comportamento, como se vê no excesso de oba-oba (tudo é aplaudido de pé) e de modismos. Cultura ainda é muito equacionada com status; muitos dos freqüentadores de seus eventos têm por eles um interesse secundário ou descartável, de cunho social. Às vezes conta mais ter ido do que ter entendido.

Desconfiança - "Desconfiados", eis como se referiam aos paulistas quando a federação era mais desejo que realidade. Vide Machado de Assis, crônicas e romances.

Dinheiro - Em São Paulo nada se perde, tudo se negocia. Até o amor, muitas vezes, é uma espécie de negociação de olho no futuro. Na cidade que tem a segunda maior frota de helicópteros do mundo, o dinheiro sobrevoa. "O clima engana/ a vida é grana/ Em São Paulo", cantou o Premeditando o Breque.

Elite(s) - Não há apenas uma elite em São Paulo. Há várias, inclusive a elite cultural, como se pode checar na coincidência de sobrenomes presentes nos conselhos diretores de instituições como Teatro Municipal, Masp e outras. Mas a pior imagem da elite paulistana, no sentido genérico, é a do sujeito fechado em seu BMW com insulfilm que só abre a janela do carro para lançar uma lata de Coca-Cola no meio da rua ou que trata seus empregados ou os garçons do restaurante com arrogância de escravocrata.

Escolas - Uma excelente razão para morar em São Paulo, normalmente excluída das listas, são suas escolas, do maternal à faculdade. Bandeirantes, Porto Seguro, Santa Cruz e Rio Branco são algumas das escolas caras mas eficazes que só São Paulo tem.

Estações do ano - O verão pode subir a 38º C ou descer a 12º C. Inverno pode ser de 5°, mas só por alguns dias. O outono é a melhor, com sua luz dourada e brisa vespertina. A primavera agora tem mais flores, como os ipês e flamboyants. Chove bastante no réveillon e no carnaval, mas a "terra da garoa" já não tem tanta garoa. De qualquer forma, é bom ter quatro estações, ainda que elas venham todas num mesmo dia.

Excentricidades - Quer jantar comidas afrodisíacas? Quer tomar banho de ofurô na serra? Quer visitar um típico restaurante grego? São Paulo tem.

Fapesp - Entre todas as contribuições científicas feitas em São Paulo, desde os tempos de Emilio Ribas ou Mario Schemberg, a Fundação de Amparo à Pesquisa é hoje seu símbolo de excelência, ao incentivar, na capital e no interior, os melhores centros de pesquisa do Brasil.

Faria Lima, Avenida - Não tem os prédios e o charme da Paulista, mas, estendida e reformada, é cada vez mais um eixo de referência de São Paulo, com shoppings, restaurantes, bancos e empresas de porte.

Fashion Week - Houve a Fenit e o Phytoervas. Mas o SPFW, ex-Morumbi Fashion, além de expressar o gosto paulistano por expressões em inglês, consolidou nos últimos oito anos a cidade como capital brasileira da moda, reunindo criadores, produtores, jornalistas e empresários que vivem em torno dela o ano todo. Não há uma moda paulista, ao menos em síntese, mas há bons estilistas paulistas (Alexandre Herchcovitch, Renato Kherlakian, Glória Coelho) e pouco a pouco - tribos à parte - as mulheres daqui deixam para trás sua "deselegância discreta".

Feiras - Há feiras para tudo em São Paulo. Há as feiras de frutas, verduras, peixes e, claro, pastéis nas ruas de todos os bairros. Há a Ceagesp e o Mercado Municipal. Há as de antiguidades na Benedito Calixto, Masp e Bexiga. Há as de automóveis em estacionamentos diversos e no Anhembi. Há as de livros, informática, eletrodomésticos. E um "etcetera" por atacado. Em São Paulo se vende tudo, sem exceção.

Filas - Almoce até 13h30 ou jante até 21 h. Depois, deixe seu nome com a "hostess" e aguarde, aguarde, aguarde.

Fotografia - Se as artes propriamente ditas nem sempre encararam São Paulo, a fotografia jamais teve medo. De Militão de Azevedo a Cristiano Mascaro, passando por Thomas Farkas, Geraldo de Barros e muitos outros, São Paulo foi vista como é, em seus detalhes bonitos e em sua abrangência feia.

Futebol - Corinthians, o Timão da Fiel, é o mais paulistano dos times, marcado mais pela garra que pela estética, com sua torcida de todas as cores e classes, massa sofredora de pretos, nordestinos, libaneses, italianos, espanhóis. Palmeiras, o Palestra, o Verdão, é o time dos italianos, brigador como só ele. São Paulo, pó-de-arroz, é o dos endinheirados, com seu futebol elegante, mas nem sempre eficiente. Portuguesa e Juventus, os queridinhos da cidade

Guarapiranga, Represa de - Sim, é possível velejar em São Paulo.

Higienópolis - Região que começou a despontar à medida que a cidade ia se afastando dos vales e dos rios, num movimento teoricamente propício à saúde, é o mais quieto dos bairros agitados da cidade. Arborizado e prático, mistura colônias como a judaica (que em boa parte abandonou o Bom Retiro), cultua praças como a Vilaboim e a Buenos Aires, tenta harmonizar casarões históricos (como o da Dona Veridiana) com shoppings modernos, espalha cocôs de cachorro entre pessoas famosas. A meio caminho entre o centro e a Paulista, resiste charmosamente.

Holanda, Sérgio Buarque de - O maior intelectual nascido nesta cidade. E pai de um compositor que não se cansa de cantar o Rio, Chico Buarque.

Hospitais - É como nas escolas. Einstein, São Luiz, Santa Catarina, Beneficência Portuguesa, Sírio-Libanês e Sabará (infantil) são alguns hospitais de primeira, e não apenas para os abonados.

Hotéis - Os hotéis de São Paulo, líder do País em turismo de negócios, não costumavam ter charme, exceção feita a um Cá D'Oro (numa região que hoje perdeu todo o charme, ao pé da Rua Augusta). Mas as construções recentes de Fasano, Renaissance, Emiliano, Unique e muitos mais mudou o cenário. E contribuiu com teatros, bares e restaurantes para a vida noturna da cidade.

Humor - Uma tradição subestimada na cultura da cidade. Sim, as pessoas na rua podem não demonstrar muito humor, estressadas e apressadas como estão. Mas o paulistano reserva a noite para relaxar e desde Juó Bananére até José Simão sabe rir de todo o mundo, inclusive de si mesmo.

Ibirapuera, Parque do - A cidade tem parques bonitos, do Burle Marx ao do Carmo, do Villa-Lobos ao Dom Pedro. Mas nenhum é mais paulistano que o do Ibirapuera, o Ibira, com seu lago, seu paisagismo, seu Recanto Japonês, seu Viveiro Manequinho Lopes, seu Planetário (ora lamentavelmente fechado), seus espaços culturais, suas quadras, gramados e brinquedos. Apesar da confusão (ciclistas e crianças podem disputar o mesmo trecho de pista, camelôs se apinham, o metrô não chega até ali), pode ser muito tranqüilizante, principalmente durante a semana.

Igrejas - A Catedral da Sé é a mais célebre, a Nossa Senhora do Brasil é a mais curiosa, há outras charmosas ou modernas; mas não há endereço católico como o Mosteiro de São Bento, no coração de São Paulo (perto do Pátio do Colégio). A missa aos domingos, às 10 h, com cantos gregorianos, é um dos melhores passeios da cidade.

Imigrantes - Não é a rodovia. É o entroncamento humano do maior número de japoneses fora do Japão, do maior número de libaneses fora do Líbano, do segundo maior número de descendentes de italianos fora da Itália (depois dos EUA), de sírios, judeus, coreanos, chineses, alemães, turcos, franceses, etc. São Paulo, que já chegou a ter mais estrangeiros que brasileiros no século 19, tem essa enorme virtude: não é xenófoba.

Interlagos - O circuito que deu ao mundo o talento de Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna.

Ipiranga - É avenida, é um belo museu, já foi rio, mas é acima de tudo um grito. A propaganda oficial caprichou em cima da circunstância de que foi aqui, e não no Rio ou em Salvador, que dom Pedro I declarou a independência do Brasil.

Japoneses - Eles e seus descendentes e outros asiáticos têm um bairro quase exclusivo, a Liberdade, mas hoje já se espalharam por toda a cidade. O número de restaurantes japoneses em São Paulo, embora seu cardápio seja mais limitado que o de um original, já supera o de churrascarias especializadas e ameaça até o de pizzarias. Em alguns casos, como o de Jun Sakamoto, em Pinheiros, eles atingiram uma sofisticação impressionante.

Jardins - Dito assim, evoca a região formada pelo quadrilátero Paulista-Rebouças-Brasil-Brigadeiro onde o número de bares, restaurantes e lojas por metro quadrado é imbatível. Pode ser também o Jardim Europa, entre a Brasil e a Faria Lima, onde casarões parecem isolados por um "cordon sanitaire" ao qual a pobreza não chega. Mas também podem ser lugares como o Jardim Ângela, onde morrem mais pessoas por fim de semana do que no conflito israelense-palestino. Ou quem sabe o Jardim Botânico, muito menos visitado do que deveria ser, e a simples carência de jardins que embelezem a maioria das ruas e avenidas da cidade.

Livrarias, bibliotecas e sebos - São Paulo também se distingue das outras cidades brasileiras por suas grandes livrarias, como a Cultura e a Fnac (já são duas de cada uma), e por suas livrarias temáticas, por assim dizer, como a Francesa, a Italiana, a Letraviva (espanhóis), a Landy (europeus do leste), etc. Os sebos, como Brandão, Ornabi e Pedro Corrêa do Lago, também são infinitos. Já as bibliotecas são escassas. A melhor delas, claro, é a Mario de Andrade, mas há também a do Centro Cultural São Paulo.

Luz, Estação da - Obra dos ingleses, restaurada, é remanescente de um tempo em que trem e bonde davam o ar de sua graça. Continua ativa e bela, com seus ferros ornados, para não falar do parque ao redor que, agora ligado à deliciosa Pinacoteca do Estado, forma um complexo admirável.

Manhattan, Complexo de - Mal que acomete a maioria dos paulistanos, especialmente das classes superiores. O sintoma principal é a mania de grandeza, que pretende que a cidade seja tão organizada e charmosa quanto Nova York, para onde seus habitantes afluem assiduamente.

Masp - Entre os muitos museus de São Paulo, o Masp é hors concours. Com empreitada de Assis Chateaubriand, curadoria de Pietro Maria Bardi e arquitetura de Lina Bo Bardi, se tornou um logotipo no meio da avenida Paulista (ainda que tenha perdido sua verticalidade com a concorrência dos prédios e a transformação do Parque Trianon). Seu acervo, de Mantegna a Matisse, é do tipo pequeno, mas memorável. Com a Pinacoteca (coleção de arte brasileira do século 19) e o Museu de Arte Contemporânea (fabulosa coleção de arte brasileira e européia do século 20), forma um panorama da história da arte que os paulistanos visitam pouco. O restante são carências: o MAM e o Mube (da Escultura) precisam de acervo; o MIS (da Imagem e do Som) precisa voltar aos velhos tempos; o Museu da Casa Brasileira e a Fundação Oscar Americano precisam chamar mais a cidade; o Museu de Arte Sacra precisa de um trabalho sério na curadoria e no marketing.

Memória, Ladeira da - Outro símbolo do descaso da cidade com seu passado. Encanta visitantes desde os mais antigos até o arquiteto português Álvaro Siza, mas continua maltratada e mal estudada.

Meninos de rua - Ninguém sabe quantos são. Mas todo mundo sabe que estão em qualquer esquina de avenida da cidade. Atualmente se esmeram em fazer malabarismos com bolas de tênis, pedaços de pau e fogo. Muitos recebem mais que um salário mínimo mensal com as esmolas ou as vendas de chicletes. Muitos não sobreviverão até os 25 anos.

Metrô - São Paulo se gaba de seu metrô. De fato, é bonito, eficiente, bem cuidado. E não deixa de recolher vantagem do fato de que a cidade tem tão poucos espaços de convívio público que o sejam. Mas é muito pequeno para o tamanho de São Paulo, cidade que obriga a maioria de seus habitantes a pegar no mínimo dois transportes para ir de casa ao trabalho.

Mídia - São Paulo é a capital da mídia também. Editoras, jornais, TVs, rádios e sites se concentram aqui. Até a poderosa TV Globo, que em suas novelas sempre alternou entre o Rio e o "Brasil profundo", se viu obrigada a transferir seu jornalismo para a cidade. Onde o dinheiro circula, a notícia quase sempre segue atrás. Para o bem e para o mal.

Minhocão - Construído numa das gestões de Maluf, oficialmente se chama Elevado Costa e Silva, em homenagem ao presidente militar linha-dura. Mas é o que de menos elevado São Paulo tem. É feio, grosseiro, mal desenhado. A cara de uma cidade que tantas vezes confunde progresso com oportunismo e que, desde os anos 40, vive em função dos automóveis.

Motoboys - Assim como os manobristas e os marreteiros, são uma multidão anônima que, numa cidade de serviços, servem para tudo. Mas, ao contrário dos outros, morrem à média de três por dia no exercício de seu trabalho.

Música clássica - Mário de Andrade se divertia com os concertos de São Paulo nos anos 30, mas o imagine hoje. A cidade desfruta de várias orquestras - estadual, municipal, da USP, a Experimental de Repertório - e de uma programação que vem melhorando ano a ano, em salas como a bela São Paulo (antiga estação de trem) e o excelente Cultura Artística, além, claro, do Teatro Municipal, que finalmente vem abandonando a mania de montar apenas óperas italianas. Os melhores músicos do mundo passaram por São Paulo nos últimos 10 ou 15 anos, mas ainda, na maioria, só para os abonados.

Nestor Pestana, Rua - Uma das caras de São Paulo. A rua, além de residências e lojas, tem alguns prostíbulos ao lado do chique Teatro Cultura Artística, que numa noite pode reunir boa parte do PIB local.

Niemeyer, Oscar - O mestre da arquitetura moderna brasileira brilhou pouco em São Paulo. Afora o Parque do Ibirapuera, com o Pavilhão da Bienal, a Oca e o MAM, fez trabalhos famosos como o Copan e o Memorial da América Latina. O Copan, com suas formas curvas, é hoje o cortiço mais famoso da cidade; não à toa, Plínio Marcos, dramaturgo do submundo paulistano, morava ali. E o Memorial é um elefante branco e brega no meio da Barra Funda.

Noite - A vida noturna certamente é sui generis. Nem na Espanha há tantos endereços 24 h. As danceterias e os bares, ou "barzinhos", fervem a noite toda, mesmo às segundas-feiras. É possível fazer quase tudo às 2 h.

Nove de julho - É nome de avenida, mas acima de tudo uma data, 9/7/1932, da revolta contra Getúlio Vargas que alguns chamam de Revolução Constitucionalista. O Obelisco do Ibirapuera celebra a ocasião também, com a guarda dos restos de quatro soldados mortos no confronto. O apego de São Paulo à data é sinal de um mal-estar cíclico com o rumo nacional, do qual normalmente não se vê culpada.

Orra, meu - Triste cacoete coloquial da cidade, exacerbado por apresentadores de TV. Significa espanto. Sim, os paulistanos ainda se espantam.

Oscar Freire, Rua - De longe a mais chique das ruas paulistanas, um encadeamento de grifes. Atinge o luxo maior no cruzamento com a Haddock Lobo. Se 400 das 500 marcas mais sofisticadas do mundo estão em São Paulo, a maioria tem pelo menos uma representação neste trecho da cidade.

Pacaembu - Nome de um bairro aprazível de São Paulo, cruzado pela avenida homônima, mas também nome do estádio de futebol mais charmoso e eficiente da cidade, embora menor que o Morumbi. Sua fachada art déco, arrematando o vale com elegância, é um dos cartazes de São Paulo.

Padarias - Boa parte da vida social paulistana ocorre nas padarias, algumas dignas do nome pretensioso de "butiques de pães". Com nomes como Barcelona, Benjamin, Santa Marcelina ou Casa dos Pães, são paraísos de sonhos, pães de queijo, frios, embutidos e bolos, mas também locais para tomar café e suco, lanchar ou mesmo saborear um PF (prato feito) enquanto se assiste a um jogo de futebol na TV ou se discute política.

Paulista, Avenida - Apenas 2 km de avenida no espigão da cidade, com largura de 40 metros - o centro antigo de um lado, os modernos Jardins do outro, a Vila Mariana numa ponta e o Pacaembu na outra. Se você olhar bem, poucos são os prédios realmente bonitos, mas a sucessão deles em linha reta, a mistura de estilos e a sensação de que afinal a cidade tem uma referência, mesmo que para greves e shows, são contagiantes.

Pichação - Poucas cidades no mundo, talvez nenhuma, são tão pichadas quanto São Paulo. O centro, em especial, é uma demonstração de poder acrobático e revolta social sem igual, com prédios pintados até o último andar. Os monumentos não ficam atrás. Por mais que se estimule a grafitagem, que produz alguns efeitos em determinados muros e túneis, a luta para manter São Paulo razoavelmente livre dos pichadores parece sempre perdida.

Pizzarias - A pizza paulistana é outro desses raros orgulhos justificáveis. Nem em Nápoles se faz igual. Braz, Cristal, Speranza, Piola - há pizza para todos os gostos e estilos. Para o paulistano, até pizza ruim é boa.

Poluição - A poluição atmosférica, a sonora e a visual estão acima de todos os limites. Meia hora no trânsito com o vidro do carro abaixado e sua cabeça ficará latejando até a noite. Menção nada honrosa para os caminhões.

Praia - Paulistanos não gostam de confessar, mas sentem dolorosa saudade da praia que nunca tiveram. Basta ver os engarrafamentos em suas estradas no fim de semana. De certo modo, foi o fato de não estar no litoral que fez de São Paulo a cidade e o Estado que são. Mas, por mais que se elogiem as praias do litoral norte (Una, Juqueí, Saí, Camburi, Maresias), onde antes índios e brancos se atracavam, são pelo menos duas horas para chegar. Quem gosta sofre.

Quatrocentões - Estranha espécie que acha que o tempo confere prestígio às famílias. O tempo passa e seu prestígio decresce.

República - São Paulo embarcou no movimento republicano por interesse (queria uma federação de verdade, não o centralismo da corte) e por convicção (alimentada sobretudo na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco). E deu a uma de suas maiores praças o nome de República. Durante algum tempo, a região compreendida por ela, do Largo do Arouche à Avenida São João, passando pela charmosa Vieira de Carvalho e chegando à Avenida São Luís, com seu Terraço Itália e seus vastos apartamentos, foi verdadeiramente... republicana. O convívio civilizado das mais distintas classes e origens teve ali, nos anos 50, sua grande manifestação arquitetônica, cultural e urbana.

Restaurantes - Os restaurantes estrelados incluem, afora churrascarias, pizzarias e japoneses, os italianos Fasano e Massimo, o português Antiquarius e os franceses Laurent e Café Antique, todos caros e inesquecíveis. Mas há restaurantes que valem pelo ambiente, como Skye, The View (no alto de prédios), Capim Santo, Museu da Casa Brasileira (a céu aberto) ou A Figueira (por sua árvore no meio); há os pequenos com ótima comida, como Carlota, Casa Venitucci e D.O.M.; há os árabes (Arabia), espanhóis (Don Curro), mineiros (Dona Lucinha); os por quilo (sim, há alguns bons); as lanchonetes (Fifties, Joaquin's), etc, etc. Faltam mais coisas boas com preços acessíveis, a exemplo de Friccò, Vinheria Percussi e Jardim de Napoli, e há aqueles muitos que não valem quanto pesam no bolso. Mas é um mundo infinito: o melhor guia da cidade, o de Josimar Melo, traz nada menos que 721 restaurantes, além dos 98 bares e cafés.

Rios - O Tietê e o Pinheiro são os maiores e formam uma linha em torno da qual São Paulo se distribui. Para alguém que vive em São Paulo há muitos anos, parece delírio ver que eles estão sendo despoluídos neste momento. Cidades precisam de seus rios.

Shoppings - Não é só paulistano que adora shopping centers (centros comerciais, conhecidos nos EUA como malls), como prova sua explosão em outras grandes cidades do Brasil. Shoppings reúnem lojas, lazer e alimentação e têm segurança e ar-condicionado; logo, são adequados para uma cidade tão hostil e tão consumista. Mas não substituem outros espaços públicos.

Solidão - Em seu livro sobre a história da cidade até 1900, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo chama São Paulo de Capital da Solidão. São Paulo se transformou de vila em metrópole a partir de 1900. Mas, entre tantas multidões, o que continua não faltando são os solitários. Até mesmo por isso.

Teatros e casas de show - Além do Cultura Artística e do Sérgio Cardoso, São Paulo tem ótimos teatros como o da Faap, o Abril, o Hebraica e o Renaissance. Para ver shows, idem: Bourbon Street, DirecTV Hall, Tom Brasil, Credicard Hall. De João Gilberto a Snoopy Dog Dog, quase todos vêm.

Trabalho - É um consenso entre historiadores que a colonização ibérica do Brasil não incutiu o senso de trabalho que o capitalismo então lançava no mundo. Mas São Paulo, mesmo sendo uma cidade pouco importante até a segunda metade do século 19, incorporou outra mentalidade com suas peculiaridades históricas e seus imigrantes europeus e se tornou em algumas décadas a mais rica do país. Ainda assim, o paulistano busca energia para se divertir até tarde da noite, das mais diversas formas.

Trânsito - O pesadelo número 2 do paulistano.

USP - São apenas 70 anos de vida, mas não é de hoje que a USP é a principal universidade brasileira. Desde os professores franceses que vieram em sua fundação, como Claude Lévi-Strauss, passando por pesquisadores como Florestan Fernandes, orientador de Fernando Henrique Cardoso, até os professores atuais, o nível sempre foi superior. Isso não significa que não necessite de reforma administrativa e mental. A Cidade Universitária, com alguns bons museus, também deveria participar mais da cidade.

Vila Madalena - Roubou a fama de Pinheiros como bairro dos alternativos e desencanados, anti-novo-riquismo, com seus barzinhos agitados, seus muros grafitados, seus ateliês de arte e suas lojas de design.

Violência - O pesadelo número 1 do paulistano.

Volpi, Alfredo - Volpi começou como pintor decorativo de casas nos bairros italianos da São Paulo dos anos 30 e depois se integrou ao Grupo Santa Helena, de um figurativismo singelo e simpático. Mas em 1950 foi para sua terra natal, a Itália, descobriu de Giotto a Morandi e voltou para construir uma das obras mais consistentes das artes visuais brasileiras. Na caligrafia das bandeirinhas e na técnica da têmpera, encontrou um motivo para sua pintura a meio-termo entre figura e abstração, entre lirismo e geometria

Xingar - Hábito corriqueiro nas ruas da cidade. Jovens ou velhos, mulheres ou homens, os paulistanos não economizam o repertório enquanto buzinam para o carro ao lado e esperam o "farol" (semáforo) abrir.

Zonas - Como no Rio, a cidade tem sua "zona sul", o conjunto dos bairros ditos nobres, onde moram as classes alta e média e os "boy" que os "mano" invejam e ironizam. Mas as periferias e a zona sul - na verdade um pequeno miolo da cidade que vai de Moema à Avenida Paulista - se misturam bem menos em São Paulo. De novo, para o bem e para o mal. O substantivo "zona", aliás, é usado por paulistanos como sinônimo de bagunça. "Que zona!", eis uma exclamação comum do cidadão ao chegar a algum lugar.