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| fonte: O Estado de São Paulo |
03 de fevereiro de 2010 |
A volta de Robinho ao Santos fez muita gente achar que essa onda de repatriamento já significa uma reação consistente do futebol brasileiro ao êxodo que o marcou dos anos 90 para cá. Mas ela mesma emite todos os sinais de alerta necessários. Pois Robinho voltou depois de ter sido a maior frustração da história recente de craques brasileiros que saíram para conquistar o mundo. Em 2004, afinal, era chamado de “Robinho Arantes do Nascimento” e, para nove entre dez comentaristas, era apenas uma questão de tempo que se tornasse o jogador número 1 do planeta. Cada vez mais irregular e marrento, ele falhou no Real Madrid e até no Manchester City. E agora voltou para jogar apenas quatro meses, garantir sua ameaçada vaga na Copa e tentar o estrelato de novo.
Seu caso não tem nada a ver com os de Ronaldo e Adriano. Ronaldo voltou para encerrar uma carreira cheia de títulos e lesões, com o desafio de jogar no centenário de um clube de massa que deseja a Libertadores acima de tudo. Adriano voltou porque entrou numa série de confusões e depressões. A cultura da mitificação brasileira, em especial a carioca, tratou logo de mascarar a situação como “nostalgia da origem”, embalando videoclipes de seus gols com a canção “Eu só quero é ser feliz/ Morar tranquilamente na favela onde eu nasci”, como se ele morasse em favela. E seu fracasso europeu pelo menos pode ser mitigado pelo fato de que na temporada 2004-05 ele chegou muito perto dos melhores do mundo, tanto na seleção como na Inter de Milão.
O que se passou com Robinho é mais parecido com o que se passou com Fred e, num campeonato ainda mais fraco, Vagner Love: nunca se tornou o principal jogador do time e, afora alguns gols e lances de efeito, aos poucos sumiu do noticiário principal. Há quem diga que não teve as devidas chances, sofrendo preconceito por seu modo de jogar; ou então que foi submetido a um fortalecimento muscular que empanou seu brilho técnico; ou que também passou por contusões. Mas é difícil dizer que Robinho aproveitou as chances que teve. “Talento não pede passagem, talento se impõe”, dizia Monteiro Lobato, e não ganhamos nada ao fornecer desculpas para seu fiasco.
Há outras questões envolvendo seu retorno, como a financeira, que não parece ser tratada como a de Ronaldo ou Roberto Carlos no Corinthians. Por que vai ganhar salário tão alto? Quem vai bancar? Como será o esquema de participação em patrocínio? Vale o custo para um clube que só tem o Paulistão a disputar no primeiro semestre? A equipe tem um elenco homogêneo ou apenas um par de novos talentos (Neymar e Ganso)? Há ainda o risco do estrelismo que parece ter afetado Petkovic no domingo. Craques são muito ciosos de seu talento e muitas vezes merecem crédito adicional mesmo que fora de forma ou mal comportados. Outra coisa é não aceitarem que estão jogando mal, acharem que não devem ser profissionais e produtivos ou desdenharem os colegas.
A manutenção de craques nos campeonatos nacionais não é fácil. Por enquanto, a maioria desses festejados retornos tem motivos circunstanciais, não estruturais. A mudança verdadeira implica pensar diferente – abandonar essa tola oposição entre ser alegre e ser eficiente, por exemplo – e a longo prazo. Dito tudo isso, confesso que estou ansioso para ver como Robinho se dará com os parceiros e assistir aos próximos clássicos do Paulista. Só um isopor não se emocionaria ao vê-lo com Pelé na Vila. E acredito que pelo menos no começo ele vai encontrar o ânimo que precisa para jogar bem. Mas paro por aqui.
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