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Aforismos sem juízo
"O desejo é sempre a primeira e a última prova de amor."

     



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Rumo ao hexa?
fonte: O Estado de São Paulo 03 de março de 2010
O jogo com a Irlanda foi anunciado como “último teste da seleção antes da Copa”, mas no máximo era um teste para alguns jogadores que não garantiram vaga ou titularidade, como Michel Bastos, Ramires e Adriano. Dunga afirma que o grupo está fechado, mas há vários pontos em aberto até para ele mesmo. Para nós, espectadores, sobrevivem ainda as dúvidas sobre Felipe Melo e Gilberto Silva, que não estão bem nos clubes. Além disso, talvez mais importante: o amistoso contra a Irlanda não deixou de confirmar que o estilo Dunga continua a se dar melhor quando sai no contra-ataque, pois falta criatividade para romper defesas um pouco mais fechadas.

A Irlanda chegou com perigo algumas vezes, principalmente quando os lançamentos eram às costas dos defensores brasileiros, e Júlio César mostrou seu reflexo num dos cabeceios. Pouco a pouco o Brasil foi dando o troco, puxado por Kaká e Maicon, mas não houve nenhuma chance clara de gol. O placar só mudou no final do primeiro tempo, quando Robinho recebeu em condição de impedimento, cruzou por baixo e o zagueiro irlandês fez o gol contra. Michel Bastos parecia ansioso para aparecer, o que em alguns momentos permitiu que os adversários usassem seu setor. Ramires perdeu muitas bolas, coisa que um meia não pode fazer. Adriano trombava, mas não abria espaço para sua esquerda. E Felipe Melo se limitava a tentar parar Keane com faltas.

No segundo tempo, a Irlanda se recolheu à sua inferioridade técnica e física. Dunga pôs Daniel Alves – que já deixou claro que merece ser titular no meio, em vez de Ramires ou Elano – e tirou Adriano por Grafite. Daniel e Robinho perderam um gol feito cada um, mas os espaços e erros da defesa irlandesa permitiram mais troca de passes e foi numa delas que saiu enfim o belo gol de Robinho. A defesa foi segura como sempre, com Lúcio e Juan, e raramente a Irlanda se aproximou com algum perigo até o final. A torcida, mesmo assim, pediu por Ronaldinho, que certamente é e está melhor do que um Kleberson ou Julio Baptista e também deu saudade na hora da cobrança de faltas.

Mas e a Copa? Acho que o Brasil tem, sim, time para ser campeão. Dunga, porém, precisa entender a importância de um jogador que se movimenta muito e sabe driblar, como Daniel Alves; e imagino que ainda haverá uma dependência grande da interação e inspiração de Kaká e Robinho. Que os deuses conspirem a favor.

EVOÉ, JOVENS À VISTA

Sim, Neymar e Ganso precisam tomar cuidado para não ficarem marrentos demais, à la Robinho, e lembrar que a arte se mostra com o jogo correndo. Mas vi muito menos linhas dedicadas ao fato que o próprio Neymar assinalou: a diferença entre seu desempenho neste ano e o do ano passado, quando foi igualmente exaltado e terminou tendo uma temporada medíocre, foi aprender que buscar o resultado é a motivação primeira e última de todo jogador de talento. Repare na simplicidade de seu gol contra o Corinthians: dominou de costas para o zagueiro, protegendo a bola, e virou batendo no canto sem precisar muita força. Eles estão no caminho certo, desde que não se deslumbrem.

Os dois mais Fernandinho, Wellington Silva e Caio encheram os olhos dos admiradores do ludopédio brasileiro no fim de semana. Eles não querem saber de ficar empinando bola como focas, a exemplo de alguns falsos brilhos que andaram aparecendo nos últimos anos. Como notou Luiz Zanin, é uma pena que só veremos seu amadurecimento à distância. Mas, por ora, aplausos.