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O ídolo improvável
Certo, a conquista do título foi emocionante e merecida, mas para mim a imagem que vai ficar do domingo é a que antecede o apito inicial do clássico paulista: todos os jogadores e torcedores do Corinthians com o braço direito erguido, punho fechado, imitando a maneira de Sócrates comemorar o gol, para homenageá-lo poucas horas depois de sua morte. Foi a última vez que o “Doutor”, o “Magrão”, comandou a plateia. Pois era esse ídolo improvável, um jogador de gestos estudados e concisos que se tornou o maior ídolo de uma torcida imensa e passional. O que mais me chamava a atenção em Sócrates não eram as suas declarações ... (leia
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Poesia de aflita beleza
Com o título de A Branca Voz da Solidão, o tradutor José Lira retoma a espinhosa empreitada de traduzir Emily Dickinson (1830-1886), poeta americana de quem a mesma editora, Iluminuras, publicou o volume Alguns Poemas em 2007. A voz limpa e única de Dickinson parece confirmar o dito de que poesia é o que se perde na tradução, tal a sutileza de seus ritmos, a concisão de suas imagens, a densidade de suas ideias. Sozinha, ela é a maior prova literária de uma mulher de gênio. E essa genialidade fica ainda mais clara quando se considera a complexidade de verter seus versos. Por mais que Lira afine sua lira, ... (leia
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Melhores do ano (1)
Todo ano repasso os comentários que fiz sobre livros lançados no Brasil e volto a ver a força dos títulos de não ficção (ensaio, biografia, história, etc) e a saudável onda de reedições de clássicos (sobretudo de ficção e poesia), mas insisto em defender o argumento de que isso não significa que vivemos tempos tão pouco criativos e tão parasitários do passado quanto se pode pensar. É claro que eu queria ler mais e melhores romances atuais e, como volta e meia me queixo aqui, uma cultura menos limitada à reciclagem, porque não raro ela apenas se apropria do nome consagrado em vez de buscar caminhos próprios para dizer ... (leia
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